terça-feira, 31 de maio de 2011
Folha.com - Cotidiano - PM chefiava assaltos a caixas eletrônicos, diz Deic - 31/05/2011
Folha.com - Cotidiano - PM chefiava assaltos a caixas eletrônicos, diz Deic - 31/05/2011
A polícia afirmou nesta terça-feira que um policial militar coordenava uma quadrilha suspeita de envolvimento com os recentes ataques a caixas eletrônicos na Grande São Paulo. Neste mês ocorreram mais de 20 roubos e furtos. A onda de arrombamentos, que são feitos com o uso de maçaricos ou explosivos, tem levado comerciantes a desativar os terminais.
De acordo com o diretor do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Nelson Guimarães, mais de cem pessoas são suspeitas de integrar quatro grupos organizados que executaram os ataques e também outros tipos de assaltos.
Entre os investigados estão policiais militares, que atuam no esquema acobertando a ação dos criminosos. Hoje foram presos quatro PMs, um ex-PM e outros dois homens suspeitos de integrar uma das quadrilhas.
"É uma imensa rede. As quadrilhas não são isoladas, elas interagem. Há muita gente a ser investigada e presa ainda. Hoje foi só a ponta do iceberg", disse o delegado. Ele afirma que desde o início das investigações, há dois meses, 26 pessoas já foram presas --sete delas policiais.
Entre os presos de hoje, segundo Guimarães, estão dois chefes do grupo: o soldado João Paulo Vitorino de Oliveira e André Luiz Gejuiba Leite, o Andrezinho.
O soldado foi descrito como uma espécie de coordenador das ações da quadrilha. "Ele orientava a quadrilha sobre o que fazer, onde atacar", disse Guimarães.
O policial também é investigado por envolvimento, além dos ataques a caixas eletrônicos, em diversos outros casos recentes. Entre eles estão a morte de um PM na avenida do Cursino (zona sul); o assalto ao apartamento de uma aposentada no Bom Retiro (centro); e o tiroteio na região do parque Ibirapuera (zona sul) que resultou na morte de três pessoas --entre elas um vendedor de milho.
Já Andrezinho é apontado como o homem que planejava os crimes e "contratava" os outros suspeitos para a ação. Ele foi preso em um prédio de luxo próximo da rodovia Raposo Tavares.
BUROCRACIA
Segundo Guimarães, a investigação da polícia havia colhido material suficiente para que fossem concedidos ao menos 70 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão, mas culpou "a burocracia" por ter conseguido apenas seis de prisão e 12 de busca.
Ele evitou criticar a Justiça pela dificuldade na obtenção dos mandados, mas afirmou que foi preciso a intervenção do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, para que os ordens judiciais fossem expedidas.
Durante as investigações, ainda segundo o delegado, foram gravadas conversas entre os criminosos autorizadas pela Justiça. Há relatos da detonação de explosivos, indicações de que guarnições da PM haviam liberado áreas para assaltos e até brigas entre os próprios criminosos.
O subcorregedor da Polícia Militar, coronel Edson Silvestre, afirmou que os policiais presos têm entre 9 e 24 anos de serviços à corporação. Eles estão sendo ouvidos no Deic e serão encaminhados ao presídio Romão Gomes. Eles responderão a processo que pode levar à expulsão.
"É inconcebível a presença de PMs na prática de qualquer delito. Não pode um PM praticar os atos que justamente deveriam coibir", disse.
A reportagem não teve acesso à defesa dos presos.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Frente Parlamentar da PEC 300 será lançada nesta terça-feira na Câmara - O Globo
Frente Parlamentar da PEC 300 será lançada nesta terça-feira na Câmara - O Globo
BRASÍLIA - A Frente Parlamentar em Defesa da PEC 300 será lançada na terça-feira. No mesmo dia, será realizada audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado para discutir a proposta, que estabelece piso salarial nacional para policiais e bombeiros dos estados.
A audiência foi sugerida pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), pelo autor da PEC 300, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), e pelo deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP). Os parlamentares também propõem que 31 de maio se torne o Dia da Valorização dos Profissionais da Segurança Pública.
O Delegado Protógenes afirmou que a criação da frente parlamentar é importante para priorizar a segurança pública, ao lado da saúde e da educação:
- Essa discussão prioritária se passa na uniformização de um piso mínimo nacional de salário para os policiais militares, trazendo a realidade também de mais verbas orçamentárias para o segmento da segurança pública.
A PEC 300 tramita em conjunto com a PEC 446, cujo texto principal foi aprovado em primeiro turno em março de 2010. Esse texto estabelece que o piso nacional será definido em lei federal posterior. Além disso, prevê um piso provisório (entre R$ 3,5 mil e R$ 7 mil) até que a lei entre em vigor. O plenário ainda precisa votar quatro destaques que modificam a proposta aprovada.
Ainda no ano passado, o governo anunciou que era contra o piso provisório e que iria propor um novo texto para a PEC.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/05/30/frente-parlamentar-da-pec-300-sera-lancada-nesta-terca-feira-na-camara-924559858.asp#ixzz1NqTRrXgx
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.
BRASÍLIA - A Frente Parlamentar em Defesa da PEC 300 será lançada na terça-feira. No mesmo dia, será realizada audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado para discutir a proposta, que estabelece piso salarial nacional para policiais e bombeiros dos estados.
A audiência foi sugerida pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), pelo autor da PEC 300, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), e pelo deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP). Os parlamentares também propõem que 31 de maio se torne o Dia da Valorização dos Profissionais da Segurança Pública.
O Delegado Protógenes afirmou que a criação da frente parlamentar é importante para priorizar a segurança pública, ao lado da saúde e da educação:
- Essa discussão prioritária se passa na uniformização de um piso mínimo nacional de salário para os policiais militares, trazendo a realidade também de mais verbas orçamentárias para o segmento da segurança pública.
A PEC 300 tramita em conjunto com a PEC 446, cujo texto principal foi aprovado em primeiro turno em março de 2010. Esse texto estabelece que o piso nacional será definido em lei federal posterior. Além disso, prevê um piso provisório (entre R$ 3,5 mil e R$ 7 mil) até que a lei entre em vigor. O plenário ainda precisa votar quatro destaques que modificam a proposta aprovada.
Ainda no ano passado, o governo anunciou que era contra o piso provisório e que iria propor um novo texto para a PEC.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/05/30/frente-parlamentar-da-pec-300-sera-lancada-nesta-terca-feira-na-camara-924559858.asp#ixzz1NqTRrXgx
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domingo, 29 de maio de 2011
Envolvimento da classe média com o tráfico eleva número de presos
SÃO PAULO - O número de presos com curso superior tem crescido ano a ano no sistema carcerário brasileiro. Dados do Ministério da Justiça mostram que as penitenciárias brasileiras receberam 122% a mais de detentos com terceiro grau completo entre 2005 e 2010. No mesmo período, a população carcerária aumentou em ritmo bem menor, 30%. O aumento de traficantes da classe média é um dos principais fatores
Para especialistas no assunto, o aumento de presos com grau universitário se deve a dois fatores. Nos últimos anos, a Justiça Federal condenou vários réus envolvidos nos chamados crimes do colarinho branco, como fraudes em licitações, corrupção e desvio de dinheiro público. São prisões feitas a partir de ações desencadeadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República.
- São ações contra crimes econômicos e tributários, mas são coisas pontuais na Justiça Federal. Não é algo comum nos Estados - diz o juiz Luciano Losekann, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização Carcerária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O principal fator, porém, está relacionado ao envolvimento da classe média no tráfico de drogas. De acordo com juristas, jovens, com poder aquisitivo e boa formação escolar, têm se envolvido cada vez mais com o tráfico.
Há dois meses, a polícia prendeu três pessoas, entre elas dois universitários, acusados de tráfico de drogas na Grande São Paulo. Na região da Cracolândia, no centro da capital, um estudante de Direito foi preso com 11 quilos de crack e duas submetralhadoras. A droga seria vendida na mesma região. Em Guarulhos, na região metropolitana, dois jovens foram presos, entre eles um estudante de Química. Com eles a polícia encontrou 3,5 quilos de cocaína e 65 litros de substâncias usadas no preparo de lança-perfume que seria vendido no Carnaval.
- Esses jovens atuam como chefes de quadrilhas ou traficantes avulsos que vendem a droga para um círculo de amigos próximos. Quando estão viciados, furtam e roubam para comprar a droga - diz o jurista e mestre em Direito Penal, Luiz Flávio Gomes.
Apesar desse aumento, a prisão de um cidadão de classe média, com curso superior e boa condição financeira continua sendo uma situação mais complicada para a Justiça. Os números do Ministério da Justiça mostram que apenas 0,4% do total de detentos no Brasil têm curso superior. Em 2005, não passavam de 0,2%.
É o caso do jornalista Antonio Pimenta Neves, de 74 anos, preso pela morte da ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. Até chegar ao presídio de Tremembé, nesta semana, passaram-se 11 anos da morte de Sandra Gomide. A defesa do jornalista entrou com pelo menos 20 recursos na Justiça.
O caso gerou manifestações de vários juristas e do próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, que defende que os processos sejam encerrados e executados na segunda instância, só sendo analisados por instâncias superiores, se houver um recurso extra.
- Nossa legislação abre todas as brechas para quem pode pagar um bom advogado. Se o caso do ex-presidente do FMI (Dominique Strauss-Kahn, preso nos Estados por agressão sexual a uma camareira) tivesse ocorrido no Brasil, ele estaria solto, certamente - afirma César Mattar Júnior, presidente da Associação Nacional dos membros do Ministério Público (CONAMP).
Para especialistas no assunto, o aumento de presos com grau universitário se deve a dois fatores. Nos últimos anos, a Justiça Federal condenou vários réus envolvidos nos chamados crimes do colarinho branco, como fraudes em licitações, corrupção e desvio de dinheiro público. São prisões feitas a partir de ações desencadeadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República.
- São ações contra crimes econômicos e tributários, mas são coisas pontuais na Justiça Federal. Não é algo comum nos Estados - diz o juiz Luciano Losekann, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização Carcerária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O principal fator, porém, está relacionado ao envolvimento da classe média no tráfico de drogas. De acordo com juristas, jovens, com poder aquisitivo e boa formação escolar, têm se envolvido cada vez mais com o tráfico.
Há dois meses, a polícia prendeu três pessoas, entre elas dois universitários, acusados de tráfico de drogas na Grande São Paulo. Na região da Cracolândia, no centro da capital, um estudante de Direito foi preso com 11 quilos de crack e duas submetralhadoras. A droga seria vendida na mesma região. Em Guarulhos, na região metropolitana, dois jovens foram presos, entre eles um estudante de Química. Com eles a polícia encontrou 3,5 quilos de cocaína e 65 litros de substâncias usadas no preparo de lança-perfume que seria vendido no Carnaval.
- Esses jovens atuam como chefes de quadrilhas ou traficantes avulsos que vendem a droga para um círculo de amigos próximos. Quando estão viciados, furtam e roubam para comprar a droga - diz o jurista e mestre em Direito Penal, Luiz Flávio Gomes.
Apesar desse aumento, a prisão de um cidadão de classe média, com curso superior e boa condição financeira continua sendo uma situação mais complicada para a Justiça. Os números do Ministério da Justiça mostram que apenas 0,4% do total de detentos no Brasil têm curso superior. Em 2005, não passavam de 0,2%.
É o caso do jornalista Antonio Pimenta Neves, de 74 anos, preso pela morte da ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. Até chegar ao presídio de Tremembé, nesta semana, passaram-se 11 anos da morte de Sandra Gomide. A defesa do jornalista entrou com pelo menos 20 recursos na Justiça.
O caso gerou manifestações de vários juristas e do próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, que defende que os processos sejam encerrados e executados na segunda instância, só sendo analisados por instâncias superiores, se houver um recurso extra.
- Nossa legislação abre todas as brechas para quem pode pagar um bom advogado. Se o caso do ex-presidente do FMI (Dominique Strauss-Kahn, preso nos Estados por agressão sexual a uma camareira) tivesse ocorrido no Brasil, ele estaria solto, certamente - afirma César Mattar Júnior, presidente da Associação Nacional dos membros do Ministério Público (CONAMP).
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Falso coronel revela como enganou a polícia do Rio e chegou a secretaria
Para Carlos da Cruz Sampaio Júnior, o Exército era um sonho de infância. Quando jovem, ele tentou entrar para a academia militar, mas não passou no teste. “Eu acho que uma série de fatores de natureza pessoal me levaram a não chegar na academia militar. Tentei. Mas acabou que ficou esquecido", conta o homem que se fez passar por coronel e conseguiu enganar a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro
Entrevistado com exclusividade para o "Fantástico", Carlos Sampaio conta como conseguiu chegar a ocupar o cargo de coordenador da subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional da Secretaria de Segurança do Rio sem nunca ter cursado a academia militar por um único dia e nem mesmo ter concluído o bacharelado em direito, sua segunda opção profissional.
Após permanecer no cargo por três meses, o falso coronel foi finalmente descoberto pelo secretário José Mariano Beltrame e acabou sendo preso em outubro de 2010.
O início da falsa carreira
Depois de largar a faculdade de direito, Carlos da Cruz Sampaio Júnior se tornou funcionário do Zoológico do Rio, na área administrativa. Foi ali que o homem que iria virar coronel sem nem ser do Exército teve o primeiro contato profissional com a organização de um esquema de segurança. “Eu refiz o plano de segurança do zoológico, criei uma série de barreiras. Eu questionava tanto a eficiência da empresa de segurança, que quando pedi a exoneração do zoológico por motivos pessoais fui convidado a participar de empresa de segurança em 98”, conta.
Carlos Sampaio ainda trabalhou com esportes de aventura, limpeza predial, até conseguir um emprego na Secretaria de Segurança. Era um trabalho administrativo, como assessor do subsecretario. Mas ele queria mais.
Aficionado pelo tema, estudou livros sobre segurança e manuais de policias de diversos países, inclusive manuais russos, idioma que ele diz ter aprendido na internet. Depois de três anos, elaborou seu próprio projeto para melhorar o patrulhamento nas ruas. “Eu desenvolvi um sistema de controle de indicadores criminais e aplicação operacional destes indicadores", diz o falso militar. "Apresentei esse projeto e absolutamente ninguém se interessou por ele”, lembra.
“Existe um termo pejorativo que se chama 'PI', pé inchado, é aquele cidadão que não é policial civil, nem militar. Constantemente fui chamado de 'PI'. De certa forma ofende, claro que ofende”, contou. Com a troca de governo, ele deixou a secretaria, mas não a idéia de implantar seu sistema de segurança.
Três anos depois, em 2009, voltou à ativa, agora diretamente na organização do patrulhamento das ruas. Sob a falsa patente de major, Sampaio apresentou seu projeto ao 6º BPM (Tijuca), responsável pelo policiamento em vários bairros da Zona Norte do Rio. Depois de três meses, ele decidiu "se promover" e trocou major por tenente-coronel. “Quando você passa a ser tenente coronel e apresenta o seu trabalho, nossa, todo mundo diz amém e funciona”, brinca.
A ascensão
Daí em diante, a carreira deslanchou. O falso coronel implantou seu projeto em outros três batalhões e começou a ser requisitado para palestras. Ele planejava o policiamento, redistribuía carros da polícia pelos bairros e treinava agentes. Chegou a comandar, armado, operações nas ruas.
A popularidade de Sampaio cresceu tanto que ele foi convidado a trabalhar na Secretaria de Segurança. O militar que nunca existiu apresentava um currículo que incluía curso na academia das Agulhas Negras, comando de um batalhão de fronteira, na Amazônia, e até a guarda presidencial. Tudo mentira.
Na carteira do Exército, Carlos Sampaio tinha uma foto com farda de gala. “Não falsifiquei. Criei. É diferente, porque você falsificar é pegar qualquer documentação e transformar os dados, eu simplesmente editei a carteira toda no Photoshop. Então, eu criei. Não é uma falsificação? isso aí depende do seu ponto de vista”, diz.
Depois que Sampaio foi preso, a polícia analisou o documento. Encontrou dez erros grosseiros, como a data de validade, até 2031. Em um documento do Exército ela seria indeterminada. Quem assina a carteira é um capitão, o que não aconteceria na identidade de um coronel. E até o próprio posto, tenente-coronel está escrito errado, sem hífen. Mesmo com erros tão básicos ninguém na secretaria percebeu a falsificação.
O falso coronel conta que não teve que apresentar nenhum documento ao ser contratado. “Eu já tinha uma série de documentações apresentadas na secretaria de Segurança. Da primeira vez que eu tinha estado lá. Você tem um cadastro lá. Eu já tinha tudo lá, minha carteira, CPF, PIS, tinha tudo lá”, explica.
A nomeação para o cargo de coordenador da subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional foi assinada no dia 12 de julho de 2010 pelo secretário de segurança, José Mariano Beltrame. Instalado no centro do comando, Sampaio recebia informações dos batalhões, tinha reuniões com coronéis e fiscalizava operações nas ruas.
Em agosto de 2010, chegou a participar de uma operação para prender traficantes que tinham invadido um hotel em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Sampaio acompanhou a negociação para que os bandidos se entregassem e libertassem os reféns. De colete, ele estava dentro da área de isolamento, na porta do hotel.
A queda
Em nota, a secretaria de Segurança afirma que Sampaio ficou três meses empregado e que o serviço de inteligência precisou desse tempo para reunir provas suficientes contra ele. No dia 7 de outubro, Beltrame procurou o Exército e descobriu que Carlos Sampaio nunca tinha sido militar. Na semana seguinte, o falso coronel foi preso na sala que ocupava na secretaria. Ele passou dois meses na prisão e agora responde a processos de falsa identidade e porte ilegal de arma de uso restrito. Ele pode pegar até seis anos de prisão.
Sampaio só lamenta que o seu projeto de policiamento não é mais seguido nos batalhões. E resume como conseguiu passar tanto tempo enganando as pessoas. “Eu acho que as pessoas acreditam na forma como você se coloca e o que você coloca. Se você chegar pra mim e falar que é o presidente da República, souber se colocar como presidente e se portar como tal e tiver representatividade e ter resultado como tal, eu acredito. Eu podia me passar por presidente, você não”, brinca.
Entrevistado com exclusividade para o "Fantástico", Carlos Sampaio conta como conseguiu chegar a ocupar o cargo de coordenador da subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional da Secretaria de Segurança do Rio sem nunca ter cursado a academia militar por um único dia e nem mesmo ter concluído o bacharelado em direito, sua segunda opção profissional.
Após permanecer no cargo por três meses, o falso coronel foi finalmente descoberto pelo secretário José Mariano Beltrame e acabou sendo preso em outubro de 2010.
O início da falsa carreira
Depois de largar a faculdade de direito, Carlos da Cruz Sampaio Júnior se tornou funcionário do Zoológico do Rio, na área administrativa. Foi ali que o homem que iria virar coronel sem nem ser do Exército teve o primeiro contato profissional com a organização de um esquema de segurança. “Eu refiz o plano de segurança do zoológico, criei uma série de barreiras. Eu questionava tanto a eficiência da empresa de segurança, que quando pedi a exoneração do zoológico por motivos pessoais fui convidado a participar de empresa de segurança em 98”, conta.
Carlos Sampaio ainda trabalhou com esportes de aventura, limpeza predial, até conseguir um emprego na Secretaria de Segurança. Era um trabalho administrativo, como assessor do subsecretario. Mas ele queria mais.
Aficionado pelo tema, estudou livros sobre segurança e manuais de policias de diversos países, inclusive manuais russos, idioma que ele diz ter aprendido na internet. Depois de três anos, elaborou seu próprio projeto para melhorar o patrulhamento nas ruas. “Eu desenvolvi um sistema de controle de indicadores criminais e aplicação operacional destes indicadores", diz o falso militar. "Apresentei esse projeto e absolutamente ninguém se interessou por ele”, lembra.
“Existe um termo pejorativo que se chama 'PI', pé inchado, é aquele cidadão que não é policial civil, nem militar. Constantemente fui chamado de 'PI'. De certa forma ofende, claro que ofende”, contou. Com a troca de governo, ele deixou a secretaria, mas não a idéia de implantar seu sistema de segurança.
Três anos depois, em 2009, voltou à ativa, agora diretamente na organização do patrulhamento das ruas. Sob a falsa patente de major, Sampaio apresentou seu projeto ao 6º BPM (Tijuca), responsável pelo policiamento em vários bairros da Zona Norte do Rio. Depois de três meses, ele decidiu "se promover" e trocou major por tenente-coronel. “Quando você passa a ser tenente coronel e apresenta o seu trabalho, nossa, todo mundo diz amém e funciona”, brinca.
A ascensão
Daí em diante, a carreira deslanchou. O falso coronel implantou seu projeto em outros três batalhões e começou a ser requisitado para palestras. Ele planejava o policiamento, redistribuía carros da polícia pelos bairros e treinava agentes. Chegou a comandar, armado, operações nas ruas.
A popularidade de Sampaio cresceu tanto que ele foi convidado a trabalhar na Secretaria de Segurança. O militar que nunca existiu apresentava um currículo que incluía curso na academia das Agulhas Negras, comando de um batalhão de fronteira, na Amazônia, e até a guarda presidencial. Tudo mentira.
Na carteira do Exército, Carlos Sampaio tinha uma foto com farda de gala. “Não falsifiquei. Criei. É diferente, porque você falsificar é pegar qualquer documentação e transformar os dados, eu simplesmente editei a carteira toda no Photoshop. Então, eu criei. Não é uma falsificação? isso aí depende do seu ponto de vista”, diz.
Depois que Sampaio foi preso, a polícia analisou o documento. Encontrou dez erros grosseiros, como a data de validade, até 2031. Em um documento do Exército ela seria indeterminada. Quem assina a carteira é um capitão, o que não aconteceria na identidade de um coronel. E até o próprio posto, tenente-coronel está escrito errado, sem hífen. Mesmo com erros tão básicos ninguém na secretaria percebeu a falsificação.
O falso coronel conta que não teve que apresentar nenhum documento ao ser contratado. “Eu já tinha uma série de documentações apresentadas na secretaria de Segurança. Da primeira vez que eu tinha estado lá. Você tem um cadastro lá. Eu já tinha tudo lá, minha carteira, CPF, PIS, tinha tudo lá”, explica.
A nomeação para o cargo de coordenador da subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional foi assinada no dia 12 de julho de 2010 pelo secretário de segurança, José Mariano Beltrame. Instalado no centro do comando, Sampaio recebia informações dos batalhões, tinha reuniões com coronéis e fiscalizava operações nas ruas.
Em agosto de 2010, chegou a participar de uma operação para prender traficantes que tinham invadido um hotel em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Sampaio acompanhou a negociação para que os bandidos se entregassem e libertassem os reféns. De colete, ele estava dentro da área de isolamento, na porta do hotel.
A queda
Em nota, a secretaria de Segurança afirma que Sampaio ficou três meses empregado e que o serviço de inteligência precisou desse tempo para reunir provas suficientes contra ele. No dia 7 de outubro, Beltrame procurou o Exército e descobriu que Carlos Sampaio nunca tinha sido militar. Na semana seguinte, o falso coronel foi preso na sala que ocupava na secretaria. Ele passou dois meses na prisão e agora responde a processos de falsa identidade e porte ilegal de arma de uso restrito. Ele pode pegar até seis anos de prisão.
Sampaio só lamenta que o seu projeto de policiamento não é mais seguido nos batalhões. E resume como conseguiu passar tanto tempo enganando as pessoas. “Eu acho que as pessoas acreditam na forma como você se coloca e o que você coloca. Se você chegar pra mim e falar que é o presidente da República, souber se colocar como presidente e se portar como tal e tiver representatividade e ter resultado como tal, eu acredito. Eu podia me passar por presidente, você não”, brinca.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Votação de projeto sobre prisão especial é adiada para a próxima semana
BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Marco Maia, retirou da pauta desta quarta-feira o projeto Lei 4208/01 com mudanças no Código Penal por falta de cordo entre os líderes partidários. A votação foi remarcada para a próxima quarta-feira, dia 30.
Entre as mudanças que o projeto faz no Código de Processo Penal estão o fim da prisão especial para portadores de diplomas de nível superior, o aumento do teto da fiança penal e a criação de alternativas à prisão preventiva por meio de novas medidas cautelares.
Entre as mudanças que o projeto faz no Código de Processo Penal estão o fim da prisão especial para portadores de diplomas de nível superior, o aumento do teto da fiança penal e a criação de alternativas à prisão preventiva por meio de novas medidas cautelares.
sábado, 29 de janeiro de 2011
PF aponta fraudes em mais 2 exames da OAB em 2009
Investigação descobriu que houve irregularidades no primeiro e terceiro exames da Ordem daquele ano
Ordem afirma que não pretende cancelar as avaliações e espera o fim das apurações para cassar os fraudadores
MÁRCIO FALCÃO
MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
A Polícia Federal descobriu que dois outros exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de 2009 foram fraudados. Com isso, tem indícios de que todas as três edições daquele ano tiveram vazamento. Ao todo, 21 mil bacharéis em direito participaram da seleção.
Após o cruzamento de dados de documentos e computadores apreendidos na Operação Tormenta, deflagrada no ano passado, a polícia encontrou irregularidades na primeira e na terceira avaliações -nesta, a fraude ocorreu nas duas etapas.
Em 2010, quando prendeu 12 acusados de envolvimento no esquema, a PF apontou que a segunda prova teve problemas no gabarito e a Ordem chegou a cancelá-la.
Segundo a PF, as provas vazaram. A análise aponta que isso se concentrou em SP, mas também pode envolver pessoas do RJ e do DF.
A OAB não vai cancelar os exames e espera o fim das apurações para anular as carteiras que autorizam os aprovados a atuarem no mercado.
"Não compactuamos com irregularidade. Quem entra na Ordem pela porta dos fundos vai sair pela porta dos fundos", disse o presidente da OAB, Ophir Cavalcante.
"Seria impossível anular esses exames. Aqueles que a Polícia Federal identificar como aprovados por fraude terão as carteiras cassadas."
A pedido da PF, a Ordem solicitou que o organizador do exame, o Cespe, ligado à UnB, repasse todas as informações das três seleções.
A PF espera esses dados para identificar o total de beneficiados. O Cespe informou ontem que já os repassou, mas a polícia disse não ter identificado o envio.
Segundo as investigações, dois policiais rodoviários fotografaram os exames e venderam reproduções -os cadernos foram levados do Cespe para a Polícia Rodoviária Federal em São Paulo.
A PF suspeita ainda que os próprios inscritos também os revendiam. Gabaritos e respostas valiam até R$ 270 mil.
O esquema envolve um grupo especializado em fraudar concursos públicos. Provas para a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a própria PF e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) também estão sob suspeição.
Quem comprou o exame será indiciado por interceptação e estelionato.
Ordem afirma que não pretende cancelar as avaliações e espera o fim das apurações para cassar os fraudadores
MÁRCIO FALCÃO
MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
A Polícia Federal descobriu que dois outros exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de 2009 foram fraudados. Com isso, tem indícios de que todas as três edições daquele ano tiveram vazamento. Ao todo, 21 mil bacharéis em direito participaram da seleção.
Após o cruzamento de dados de documentos e computadores apreendidos na Operação Tormenta, deflagrada no ano passado, a polícia encontrou irregularidades na primeira e na terceira avaliações -nesta, a fraude ocorreu nas duas etapas.
Em 2010, quando prendeu 12 acusados de envolvimento no esquema, a PF apontou que a segunda prova teve problemas no gabarito e a Ordem chegou a cancelá-la.
Segundo a PF, as provas vazaram. A análise aponta que isso se concentrou em SP, mas também pode envolver pessoas do RJ e do DF.
A OAB não vai cancelar os exames e espera o fim das apurações para anular as carteiras que autorizam os aprovados a atuarem no mercado.
"Não compactuamos com irregularidade. Quem entra na Ordem pela porta dos fundos vai sair pela porta dos fundos", disse o presidente da OAB, Ophir Cavalcante.
"Seria impossível anular esses exames. Aqueles que a Polícia Federal identificar como aprovados por fraude terão as carteiras cassadas."
A pedido da PF, a Ordem solicitou que o organizador do exame, o Cespe, ligado à UnB, repasse todas as informações das três seleções.
A PF espera esses dados para identificar o total de beneficiados. O Cespe informou ontem que já os repassou, mas a polícia disse não ter identificado o envio.
Segundo as investigações, dois policiais rodoviários fotografaram os exames e venderam reproduções -os cadernos foram levados do Cespe para a Polícia Rodoviária Federal em São Paulo.
A PF suspeita ainda que os próprios inscritos também os revendiam. Gabaritos e respostas valiam até R$ 270 mil.
O esquema envolve um grupo especializado em fraudar concursos públicos. Provas para a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a própria PF e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) também estão sob suspeição.
Quem comprou o exame será indiciado por interceptação e estelionato.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Pós-graduação em Segurança Pública Grátis!
Você sabia que todos os anos mais de 20 universidade públicas e particulares em todo o país oferecem curso gratuito de pós-gradução em Políticas e Gestão em Segurança Pública?
Basta ter ensino superior completo e ser policial militar ou civil, bombeiro ou guarda municipal, da ativa. Quem não é nem policial, nem bombeiro, nem guarda também pode fazer (mas aí não vai ser de graça).

Tudo custeado pelo Secretaria Nacional de Segurança Pública. Entendeu? O povo, através dos seus impostos, está pagando a nossa especialização. Veja abaixo as instituições que fazem parte da RENAESP e são credenciadas para ministrar o curso:
Basta ter ensino superior completo e ser policial militar ou civil, bombeiro ou guarda municipal, da ativa. Quem não é nem policial, nem bombeiro, nem guarda também pode fazer (mas aí não vai ser de graça).

Tudo custeado pelo Secretaria Nacional de Segurança Pública. Entendeu? O povo, através dos seus impostos, está pagando a nossa especialização. Veja abaixo as instituições que fazem parte da RENAESP e são credenciadas para ministrar o curso:
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