sábado, 18 de abril de 2009

Vigias de trem afirmam ter reagido a agressão de usuários

Três funcionários de empresa do Rio foram indiciados



Três agentes da empresa que administra os trens do Rio acusados de agressões a usuários na zona norte foram indiciados sob acusação de lesão corporal e constrangimento ilegal.
Leonardo Leite de Paula, 23, Bruno do Espírito Santo de Castro, 23, e Rodrigo Barroso Balduíno, 28, não quiseram dar entrevistas depois de prestar depoimento à polícia ontem, mas segundo o delegado-titular da Delegacia de Defesa de Serviços Delegados, Eduardo Freitas, os três confessaram as agressões contra os passageiros, mas disseram ter revidado cusparadas, pedradas e xingamentos de passageiros revoltados com a demora nas partidas.
"Eles disseram que não esperavam tanta repercussão e se defenderam afirmando que o trabalho é tenso e que já viram colegas sendo machucados por usuários. Disseram que empurrões, socos e cuspes [dos passageiros] são frequentes em trens lotados", afirmou o delegado.
No depoimento, o agente Bruno Castro disse que um dos passageiros havia cuspido nele e o xingado antes. "Ele disse que a empresa sempre mandou os funcionários não reagirem, inclusive, ao serem contratados, eles eram avisados que poderiam sofrer retaliações de usuários", disse o delegado.
Na quarta, um câmera da TV Globo filmou, no começo da manhã, agentes de controle da estação de Madureira agredindo usuários com socos, pontapés e até chicotadas, usando as cordas dos apitos que utilizam.
Um dos acusados alegou à polícia que havia chegado ao seu limite. "Ele disse que no começo aguentava bem [supostas agressões dos passageiros], mas que na terceira semana não aguentava mais", disse Freitas.
Os agentes afirmaram ainda que, no momento das agressões, tentavam conter os chamados "surfistas de trens" -pessoas que decidem viajar em cima dos trens, às vezes para fugir do excesso de lotação, às vezes por diversão. "Segundo os agentes, o tumulto começou na estação de Marechal Hermes [anterior à de Madureira], quando alguns usuários subiram em um dos vagões. Eles disseram que tentavam retirá-los do trem quando houve a agressão", afirmou Freitas.
Dez funcionários devem ser ouvidos - seis deles prestaram depoimentos ontem. As imagens indicaram a participação de outro funcionário, que não estava uniformizado na hora das agressões. O agente será ouvido e pode ser indiciado.
Dois PMs que presenciaram as agressões e não reagiram devem prestar depoimento na próxima semana. Um dos agentes de controle dos quatro demitidos foi reintegrado, mas deve ficar afastado de suas funções até o fim do inquérito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário